O sistema de faixas para crianças de 4 a 15 anos: idade e treinos juntos, currículo técnico por faixa e os critérios do professor. Alinhado à IBJJF/CBJJ.
Documento interno voltado ao time de gestão e, principalmente, aos professores do Kids. Consolida, em um só lugar, como funciona a graduação das crianças na Templum. Hoje a turma Kids está com a professora Helida; à medida que o time cresce, este material garante que qualquer professor que entrar saiba exatamente como o sistema funciona, sem depender de memória ou de transmissão informal. Alinhado às diretrizes IBJJF / CBJJ.
O objetivo é padronizar o critério: que duas crianças com o mesmo desenvolvimento sejam graduadas com a mesma lógica, independentemente de quem está à frente da turma.
O sistema infantil oficial vai dos 4 aos 15 anos e é composto por quatro grupos de cor, além da faixa branca de entrada. Cada grupo de cor tem três faixas: cor-e-branca, cor cheia e cor-e-preta.
Sequência completa: Branca → Cinza-Branca → Cinza → Cinza-Preta → Amarela-Branca → Amarela → Amarela-Preta → Laranja-Branca → Laranja → Laranja-Preta → Verde-Branca → Verde → Verde-Preta.
Dois pontos organizam o sistema. Primeiro: todo mundo começa na faixa branca, sem exceção — ninguém entra já numa faixa colorida. Segundo: a idade define o teto de cor que a criança pode alcançar. Cada cor tem uma idade mínima e ninguém recebe uma cor antes dela.
| Grupo de cor | Idade mínima | Observação |
|---|---|---|
| Branca | qualquer idade | Faixa de entrada de todos os iniciantes. |
| Cinza (3 faixas) | 4 anos | Primeira cor do sistema infantil. |
| Amarela (3 faixas) | 7 anos | — |
| Laranja (3 faixas) | 10 anos | — |
| Verde (3 faixas) | 13 anos | Geralmente exige muitos anos de treino. |
A idade considerada é a que a criança completa no ano corrente (ano atual − ano de nascimento), não a idade no dia exato. Critério oficial IBJJF/CBJJ.
Este é o coração do sistema. A cor da faixa acompanha a idade da criança: a idade ancora a faixa, e os graus são o reconhecimento de mérito no meio do caminho.
A faixa muda quando a criança atinge a idade mínima da cor E cumpre os treinos com evolução confirmada pelo professor — o que vier por último. Para a criança pequena, quase sempre a idade é que vem por último. Para quem começa mais velho, é o treino que comanda, até alcançar a faixa da sua idade.
| Idade | Faixa esperada (referência) |
|---|---|
| 4 a 6 anos | Branca e grupo Cinza (Cinza-Branca → Cinza → Cinza-Preta) |
| 7 anos | Amarela-Branca |
| 8 anos | Amarela |
| 9 anos | Amarela-Preta |
| 10 anos | Laranja-Branca |
| 11 anos | Laranja |
| 12 anos | Laranja-Preta |
| 13 anos | Verde-Branca |
| 14 anos | Verde |
| 15 anos | Verde-Preta |
| 16 anos | Migração ao sistema adulto (Azul ou Roxa) |
É um guia, não uma régua rígida: a troca real depende sempre de treinos e idade juntos. Por mais que uma criança pequena treine, não recebe amarela antes dos 7, laranja antes dos 10 nem verde antes dos 13. Quando cumpre os treinos de uma cor antes de a próxima idade abrir, permanece no topo da cor atual recebendo graus, até o aniversário liberar a cor seguinte.
Toda faixa tem quatro graus. O quinto movimento equivale à troca de faixa — vale para a branca e para cada faixa colorida, exatamente como no sistema adulto. Dentro de qualquer faixa: 1º grau, 2º grau, 3º grau, 4º grau e, em seguida, a promoção para a faixa seguinte.
O grau é o que a criança conquista enquanto caminha entre uma cor e outra, e é o que preenche, com sentido, o tempo em que ela aguarda a idade abrir a próxima cor.
O grau é conquistado pela combinação de duas coisas:
Uma criança que bate os treinos mas tem postura ruim pode não receber o grau; uma criança dedicada e presente, sim. Isso ensina desde cedo que evolução vem de constância e atitude, não de calendário.
O número de treinos por grau cresce conforme a faixa avança. Branca e cinza andam mais rápido (a criança precisa de reconhecimento frequente no começo); laranja e verde exigem mais. Base de cálculo: grade de 2× por semana, presença realista de ~6 a 7 treinos por mês. Nesse ritmo, cada faixa leva perto de um ano (branca ~6 meses, subindo até ~11 meses na verde).
| Faixa | 1º grau | 2º grau | 3º grau | 4º grau | Troca de faixa |
|---|---|---|---|---|---|
| Branca | 8 | 16 | 24 | 32 | 40 |
| Cinza-Branca | 10 | 20 | 30 | 40 | 50 |
| Cinza | 10 | 20 | 30 | 40 | 50 |
| Cinza-Preta | 10 | 20 | 30 | 40 | 50 |
| Amarela-Branca | 12 | 24 | 36 | 48 | 60 |
| Amarela | 12 | 24 | 36 | 48 | 60 |
| Amarela-Preta | 12 | 24 | 36 | 48 | 60 |
| Laranja-Branca | 13 | 26 | 39 | 52 | 65 |
| Laranja | 13 | 26 | 39 | 52 | 65 |
| Laranja-Preta | 13 | 26 | 39 | 52 | 65 |
| Verde-Branca | 14 | 28 | 42 | 56 | 70 |
| Verde | 14 | 28 | 42 | 56 | 70 |
| Verde-Preta | 14 | 28 | 42 | 56 | 70 |
Números cumulativos dentro de cada faixa: quantos treinos para alcançar cada grau e, no quinto passo, a troca de faixa. Para a criança pequena, atingir os treinos não basta: a próxima cor só vem quando a idade também permitir.
A cadência de referência é semestral. Os eventos acontecem em dois formatos:
Num evento, a criança pode receber grau ou faixa, conforme onde ela está. Nem todo evento traz faixa nova; muitos trazem apenas grau, que é o reconhecimento mais frequente. A criança também pode ser graduada (grau ou faixa) num dia de aula normal, e isso fica registrado. A evolução não precisa esperar a data do evento.
Ninguém entra já numa faixa colorida. O que muda para quem começa mais velho é o que acontece na primeira graduação, depois de um tempo de maturação na branca:
Exemplos: começou aos 10 anos (faixa da idade = laranja-branca) → sai da branca para amarela-preta ou direto para laranja-branca, conforme avaliação. Começou aos 11 (faixa da idade = laranja) → sai da branca para laranja-branca ou laranja. O salto sempre respeita o teto de idade: uma criança de 11 anos não pode ir para a verde (mínimo 13). A partir do salto, passa a ser guiada pela idade.
Crianças com questões motoras, cognitivas ou de neurodesenvolvimento (por exemplo, do espectro autista) podem ser graduadas em ritmo próprio, inclusive começando mais abaixo do que a idade permitiria. Nesses casos, o critério passa a ser o desenvolvimento individual da criança, não a régua etária. Essa flexibilidade protege a criança e respalda o professor.
Competir não gradua e não acelera a faixa. A criança que compete já chega ao tatame num nível naturalmente mais alto, porque a competição em si já a desenvolve. Usar a competição também para acelerar a faixa seria premiar duas vezes a mesma coisa e criar distorção com quem não compete por escolha da família. A competição é incentivada pelo valor que entrega, mas permanece opcional, a critério do professor — nunca exigência para graduar.
No ano em que a criança completa 16 anos, ela sai do sistema infantil e migra para o adulto, conforme a faixa que possui:
A partir daí, vale a trilha adulta — ver a página Graduação Adulta.
O esqueleto do que se espera que a criança aprenda e demonstre em cada faixa — guia do que ensinar e referência do que ela precisa apresentar para evoluir. Os conteúdos se repetem e se aprofundam a cada cor.
Aqui não se cobra finalização. O foco é a criança se mover com segurança e se comportar no tatame.
O DNA da cinza é segurar posição e saber escapar. Para os menores, ensinado por brincadeira, não por repetição técnica pesada.
A criança para de pensar posições isoladas e começa a ligar uma na outra.
Aprofundamento de tudo o que veio antes, com jogo próprio e arsenal mais amplo. Surge um papel novo: o aluno passa a ser monitor e referência para os menores da turma, e começa a preparar a transição para o sistema adulto aos 16 anos. A faixa verde é uma das mais difíceis de alcançar; quando bem feita, a criança costuma ter muitos anos de treino até chegar lá.
Os casos práticos mais comuns, incluindo dúvidas que vêm das famílias. Em todos vale a regra geral: os números orientam, mas a decisão final é sempre do professor.
Meu filho cumpriu os treinos, mas não trocou de faixa. Por quê?
Porque a faixa também depende da idade. Ele cumpriu os treinos, mas a próxima cor ainda não abriu pela idade dele (amarela aos 7, laranja aos 10, verde aos 13). Enquanto isso, recebe graus no topo da cor atual, até o aniversário liberar a cor seguinte. Vale o que vier por último.
Por que a faixa leva cerca de um ano para mudar?
Porque o sistema foi feito para a cor acompanhar a idade e a maturidade, sem acelerar demais. No meio do caminho, a criança recebe graus a cada poucos meses, que reconhecem a evolução. A faixa é a conquista maior; o grau é o passo intermediário.
A criança não completou os treinos e chegou um momento de graduação. O que acontece?
Depende de quanto falta. Se faltam poucos treinos e a idade já permite, o professor pode graduar mesmo assim. Se faltam muitos, segura para o próximo momento. O limite é o bom senso do professor.
A criança atingiu os treinos antes de um evento. Precisa esperar?
Não necessariamente. O professor pode graduar na hora, numa aula normal, ou esperar o próximo evento — desde que a idade da cor já esteja liberada, no caso de troca de faixa.
A criança pode receber grau e faixa no mesmo dia, em aula comum?
Sim. Pode ser graduada tanto em grau quanto em faixa num dia de aula normal, e isso fica registrado. O grande evento anual é uma celebração, não um pré-requisito.
Como o grau é decidido?
Pela soma de duas coisas: um mínimo de treinos (que destrava a elegibilidade) e a avaliação do professor sobre presença, comportamento e evolução. O número abre a porta; o professor confirma.
Uma criança que entrou agora, mais velha, começa na branca?
Sim. Todo mundo começa na branca. A diferença é que, depois de um tempo de maturação, na primeira graduação ela salta direto para a faixa correspondente à sua idade, sem passar pelas cores intermediárias.
Meu filho tem 5 anos e treina muito. Pode virar azul logo?
Não. O sistema infantil tem teto de idade, e a azul só é possível a partir dos 16 anos, na migração para o adulto. Antes disso, a criança evolui dentro das cores infantis até onde a idade permitir.
Competir faz subir de faixa mais rápido?
Não. Competir não gradua nem acelera a faixa. A competição desenvolve muito o aluno e é incentivada, mas permanece opcional e a critério do professor.
A criança ficou afastada por lesão ou viagem. Perde os treinos acumulados?
Não. O histórico não zera. O professor usa o bom senso para retomar a contagem de onde parou, considerando o tempo de afastamento.
A criança pode ser rebaixada de grau ou faixa?
Não. A graduação é uma conquista e não é retirada. Frequência muito baixa apenas atrasa a próxima graduação, nunca rebaixa a atual.
Todos os graus levam o mesmo tempo?
Não. Quanto mais alta a faixa, mais treinos são necessários por grau. Branca e cinza andam mais rápido; laranja e verde, mais devagar.
Documento interno · Templum BJJ Artes Marciais · Brasília.
Manual Operacional · Guia vivo, atualizado conforme a operação evolui.